
A Reforma Tributária do Consumo no Brasil já acende um alerta para o setor corporativo. Com o cronograma oficial definindo 2026 como ano de teste, aplicando taxas provisórias de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS, a corrida contra o tempo foca em 2027. Será neste ano que o PIS e a Cofins serão extintos de vez, abrindo caminho para a cobrança oficial da CBS e a entrada em vigor do Imposto Seletivo.
A transição do ICMS e do ISS vai ocorrer de forma gradual, entre 2029 e 2032, até o modelo funcionar integralmente em 2033.
Essa virada estrutural movimenta os bastidores e o mercado de tecnologia fiscal. Um levantamento do Grupo LFY aponta que mais de 20 mil empresas brasileiras já recorreram a diagnósticos automatizados para medir o tamanho do impacto no caixa. O uso de inteligência artificial tem sido a principal saída para cruzar o volume massivo de dados e projetar cenários que afetam contratos de longo prazo e a precificação de serviços.
O contador, tributarista e fundador do Grupo LFY, Waldir de Lara, alerta que tratar o assunto como um problema exclusivo do futuro é um erro fatal. “O maior erro é imaginar que a Reforma Tributária será resolvida pelo contador quando a nova alíquota aparecer. Ela muda a formação do preço, a margem, a relação com fornecedores e a quantidade de dinheiro disponível no caixa. É uma decisão empresarial, não apenas fiscal”, conta em entrevista ao Feed TV.
Na prática, os negócios de serviços precisam recalcular com urgência como a nova dinâmica afeta o consumidor. Empresas com poucos créditos tributários disponíveis vão encarar um dilema: absorver a perda da margem ou repassar o aumento aos preços correndo. Waldir de Lara destaca que a regularidade fiscal de toda a cadeia de operações também será um diferencial, tornando a escolha de bons fornecedores uma tática de sobrevivência tributária.

“Uma empresa pode descobrir que vende com margem no sistema atual e perde rentabilidade no novo”, explica o especialista. Ele orienta que os donos de negócios observem quatro frentes de análise imediata: formação de preços e margens, contratos longos, estrutura de créditos com fornecedores e a adequação dos sistemas de emissão de notas.
A urgência do cenário fez com que Waldir de Lara apresentasse essas projeções a mais de 120 empresários recentemente, em um encontro que contou com a participação do ex-ministro da Economia Paulo Guedes.
Por fim, o especialista destaca que, nos próximos anos, a vantagem competitiva não será de quem paga menos imposto hoje, mas de quem conseguir adaptar os sistemas antes que as regras mudem de forma oficial.