CONHEÇA Itacaré: de vila do cacau a polo de ecoturismo na Bahia

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Itacaré, Bahia (Foto: Pexels)

Nem todas as praias do Nordeste brasileiro são marcadas por coqueiros alinhados sobre a areia clara. Em Itacaré, no sul da Bahia, a Mata Atlântica chega até a faixa litorânea e emoldura enseadas cercadas de verde, com ondas fortes ao fundo. Antigo porto ligado ao ciclo do cacau, o município perdeu importância após o assoreamento do Rio de Contas e, após um período de isolamento, tornou-se um dos destinos de ecoturismo mais procurados do país.

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Origem e história

A história do povoado começou no século XVIII, quando o jesuíta Luís da Grã construiu uma capela dedicada a São Miguel Arcanjo às margens do Rio de Contas. De acordo com o portal oficial Itacaré, o vilarejo foi elevado à condição de município em 1732, por decisão da donatária Condessa do Resende, e recebeu o nome de Itacaré somente em 1931. A palavra tem origem no tupi-guarani, com “ita” significando pedra e “karé”, arcado ou torto.

A expansão econômica ocorreu na segunda metade do século XIX, impulsionada pelo cacau transportado pelo porto local até o assoreamento, na década de 1940. Conforme explica o Instituto Tijuípe, o cultivo em sistema de cabruca, no qual a floresta oferece sombra natural aos cacaueiros, contribuiu para conservar a vegetação que ainda caracteriza a região. O isolamento vivido nas décadas seguintes também ajudou a preservar esse cenário.

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Praias e surf

O litoral reúne mais de treze praias principais, entre trechos urbanos e enseadas que só podem ser alcançadas por trilhas em meio à floresta. As ondas fortes e a temperatura da água atraem praticantes de surfe durante todo o ano.

  • Praia da Concha: é a mais movimentada entre as praias urbanas, com quiosques, bares e águas tranquilas, características que favorecem os passeios em família.
  • Trilha das Quatro Praias: caminho que liga Engenhoca, Havaizinho, Camboinha e Itacarezinho, passando por trechos de águas cristalinas e vegetação fechada.
  • Praia de Jeribucaçu: o acesso exige uma caminhada de aproximadamente 40 minutos, mas o percurso leva a uma paisagem selvagem onde o rio encontra o mar.
  • Prainha: localizada em uma reserva particular, pode ser alcançada por uma trilha que começa na Praia da Ribeira. A praia não conta com infraestrutura no local.
  • Praia do Resende e Praia do Tiririca: são pontos frequentados por surfistas, conhecidos pelas ondas consistentemente fortes e pela atmosfera jovem.

Natureza além do litoral

O relevo acidentado da região esconde cachoeiras cercadas pela floresta, em uma área que faz parte da APA Costa de Itacaré/Serra Grande. Criada em 1993, essa unidade de conservação estadual possui 62.960 hectares e é administrada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (INEMA).

  • Cachoeira do Tijuípe: uma das mais visitadas da região, fica próxima à BA-001 e oferece acesso facilitado, além de restaurante.
  • Cachoeira do Cleandro: pode ser alcançada de barco ou caiaque pelo mangue do Rio de Contas, em um trecho cercado por vegetação preservada.
  • Cachoeira da Usina: o percurso começa na Praia de Jeribucaçu e inclui uma trilha de aproximadamente 40 minutos entre a floresta e o litoral.
  • Rafting no Rio de Contas: a descida por corredeiras cercadas pela Mata Atlântica é uma das atividades de aventura que ajudaram a consolidar a fama turística de Itacaré.
  • Passeio pelas ilhas de Camamu: inclui excursões de um dia à Ilha da Pedra Furada e à Península de Maraú, onde estão as piscinas naturais de Taipu de Fora.

Sabores locais

A culinária local reúne receitas tradicionais da Bahia e propostas contemporâneas, em uma cena gastronômica que também recebeu influências de moradores estrangeiros que chegaram à região nas últimas duas décadas.

  • Moqueca de peixe: preparada tradicionalmente com azeite de dendê, leite de coco e pimentão, aparece nos cardápios de restaurantes à beira-mar e estabelecimentos do centro.
  • Chocolate de origem: produzido com cacau cultivado na própria região, pode ser encontrado em lojas artesanais de chocolate e cafeterias do centro histórico.
  • Acarajé: o bolinho de feijão-fradinho frito no dendê é vendido em tabuleiros no fim da tarde, especialmente nas proximidades da Praia da Concha.
  • Suco de cacau natural: preparado com a polpa branca que envolve a semente, tem sabor doce e refrescante.

Clima e quando visitar

O município apresenta clima tropical úmido, sem uma estação seca bem definida e com temperaturas relativamente estáveis ao longo do ano:

  • Verão (Dezembro a Fevereiro): média de 24-30°C com chuva média. Ideal para curtir as praias, o surf e o agito da alta temporada.
  • Outono (Março a Maio): média de 23-28°C com chuva alta. O aumento das chuvas deixa as cachoeiras cheias, sendo ótimo para trilhas.
  • Inverno (Junho a Agosto): média de 21-26°C com chuva alta. Período para descobrir o charme do centro histórico e desfrutar da gastronomia.
  • Primavera (Setembro a Novembro): média de 22-28°C com chuva média. Excelente para trilhas e passeios pelas ilhas.

Como chegar

A opção mais rápida por via aérea é desembarcar no Aeroporto de Ilhéus, situado a 70 km de Itacaré, com voos que costumam ter conexões em Salvador, São Paulo ou Rio de Janeiro. A partir de Ilhéus, é possível seguir de transfer ou táxi pela BA-001. Quem prefere viajar por terra pode chegar de carro ou ônibus a partir de Salvador, a 428 km, ou combinar a visita com uma passagem por Porto Seguro.

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